Tem respirado ultimamente? Não se esqueça disso!

Durante uma aula de yoga, há muitos anos atrás, o professor Paulo Fonseca disse-me que “a vida acontecia entre uma inspiração e uma expiração”. Essa frase marcou-me de tal forma que penso nela de tempos a tempos e me guia ainda hoje. No fundo lembra-me da importância da respiração, não só no contexto de aula, durante a prática, mas também, no meu dia-a-dia.

No yoga a respiração é tratada através de uma técnica estudada e documentada há milhares de anos, ao que chamamos Pranayama, palavra em sânscrito que significa Prana (energia vital) + Yama (domínio). O Pranayama é definido como a ciência do prolongamento da respiração e do seu controlo.

Esta técnica expande e intensifica o fluxo de energia no corpo. No yoga este trabalho é feito através das quatro fases da respiração pelo nariz: inspiração (puraka), expiração (rechaka), retenção com os pulmões cheios (puraka kumbhaka) e retenção com os pulmões vazios (rechaka kumbhaka).

Nas práticas de Yoga Integral, bem como em muitas outras escolas de Yoga, reservamos uma boa parte da aula para praticar os exercícios respiratórios, normalmente no início de cada aula. Altura em que aproveitamos para observar o nosso ritmo respiratório e utilizamos as técnicas de pranayama para aquietar a mente e concentramo-nos no momento presente. A respiração no yoga torna-se consciente e transforma a nossa forma de lidar com as emoções. Existem vários exercícios de pranayama, que são introduzidos gradualmente, de acordo com o nível de aprendizagem do aluno. Durante os exercícios respiratórios podemos fazer mudras (gestos feitos com as mãos), atribuímos ritmos respiratórios com contagens de tempo, fazemos retenções da respiração com os pulmões cheios ou vazios ou aprofundamos a prática de kriyas, (exercícios que visam a purificação do organismo). Independentemente se é um aluno iniciante ou avançado os exercícios respiratórios fazem parte da prática de yoga diária.

O trabalho da respiração no yoga pode e deve ser utilizado ao longo de toda a prática, é utilizado por exemplo para contagem dos ciclos respiratórios nos ásanas (posturas de yoga), durante a meditação ou quando entoamos mantras.

Entre os principais benefícios dos exercícios respiratórios e os mais imediatos está o aspeto psíquico que o controlo da respiração, de forma voluntária, induz nos praticantes de yoga, levando-os a um estado de tranquilidade emocional e mental.

O pranayama, a sua ciência, que visa o domínio da energia vital do universo vai mais além, é objeto de prática e estudo de textos clássicos do Yoga, que deverão ser acompanhados pelo estudo de anatomofisiologia do aparelho respiratório.

Mas acima de tudo, o importante para qualquer yogui é trazer esta poderosa ferramenta para o seu dia-a-dia, integrando-a na sua rotina, encontrando-a para as várias tarefas que realiza na vida, para o alívio de situações de tensão ou ansiedade, até estar profundamente enraizada em si. Não se esqueça de respirar!

Imagem de Pixabay

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