Descomplicar o Paleolítico

Aos 39 anos resolveu mudar toda a sua alimentação e, com isso, a maneira de estar na vida. Depois de alguma investigação e experiências rendeu-se à “Dieta do Paleolítico”, que assumiu para si em setembro de 2014. Em novembro do mesmo ano criou e gere o site “Paleo XXI”.

O Inspirações falou com Francisco Silva.

Por Teresa Salvado

Inspirações (INSP): Como tomaste conhecimento da Dieta do Paleolítico e porque resolveste adotá-la?

Francisco Silva (FS): O processo de transição foi gradual, ou seja, já vinha a fazer algumas alterações e num grupo de facebook falaram-me deste modo de encarar a alimentação (e não só) e, curioso, resolvi investigar. Sabes quando começas a ler um livro e a trama agarra logo? Aqui foi igual: pareciam peças a encaixar, assim que comecei a estudar um pouco sobre o assunto!

INSP: Como era a tua alimentação antes?

FS: Comia relativamente mal (tendo em conta o que sei hoje). Tentava ter algum cuidado com as coisas que se diziam ser “más” para o colesterol, porque o tinha elevado, mas sempre fui guloso… recorria com frequência a bolachas e snacks, sumos e bebidas açucaradas, cereais de pequeno-almoço… o “normal”.
No início de 2014 tive conhecimento da Dieta dos 31 Dias. Como estava com peso a mais, resolvi experimentar, quase por brincadeira. Efetivamente percebi o fundamento do que a Dra. Ágata propunha e a coisa fez-se muito tranquilamente e com os resultados esperados. Isso levou-me a grupos de partilha de experiências no facebook e ao conhecimento da paleo.

INSP: Como correu a fase de passagem de um tipo de dieta alimentar para o outro?

FS: Como referi, foi tudo tranquilo porque encarei como uma experiência pessoal, sem mudanças bruscas, sempre controlando o peso e com consciência de que não estava a cometer nenhum erro grave ou a fazer algo irreversível. Primeiro com a D31 e depois fazendo o que considero um upgrade construindo a “minha” paleo.

INSP: É normal nestas fases de adaptação haver erros e/ou rejeições. Quais os maiores erros que cometeste no início? E rejeições, sentiste alguma?

FS: Não lhe chamaria erros. São passos na aprendizagem. Claro que no início podem existir várias tentações: encarar os hidratos de carbono como vilões e querer cortá-los a todo o custo para o peso baixar; querer fazer substituições diretas (pão branco por pão “paleo”); abusar no consumo de gorduras e/ou de carnes; olhar mais para o prato do vizinho e imitar, em vez de tentar perceber a lógica do que a paleo propõe… Tentei não cair em demasia em nenhuma destas situações. Efetivamente a PALEO XXI não fecha a porta a substituições (ou a tentativas de…). Cada um deve ser livre de exercer a sua criatividade na cozinha se assim o entender, mas é preciso saber dosear os ímpetos iniciais.

INSP: Além dos hábitos alimentares que mais alteraste na tua maneira de estar na vida/filosofia de vida?

FS: Muda um pouco de tudo. O comportamento em compras, o comportamento social, até a consciência ambiental. Na maior parte dos casos desenvolve-se um gosto por preparar a tua própria comida – passo muito tempo na cozinha – e um certo orgulho em partilhar com os outros, daí o sucesso dos grupos de partilha.
No meu caso tento também aplicar a lógica paleo a outro tipo de produtos que não os alimentares: produtos de casa de banho, por exemplo. Preocupo-me mais com o apanhar sol e com o exercício físico (aqui ainda falho). E “perco” muito tempo a pesquisar e ouvir sobre este tema.

INSP: Como é que desta mudança nasce o site Paleo XXI e o Manifesto Descomplicado?

FS: Primeiro nasce o Paleo Descomplicado: o grupo de Facebook hoje já com mais de 360 mil membros! Em novembro de 2014, cerca de 2 meses após ter começado a implementar a Paleo, senti que os grupos onde estava, onde discutia o tema, eram demasiado agarrados a um conceito mais rígido e um pouco dogmático e eu queria mostrar uma paleo onde a lógica ancestral se misturava com a modernidade do século em que vivemos. Criei então o meu próprio grupo, juntei uns amigos e o grupo explodiu! Estamos com um ritmo de mais de 10.000 entradas por mês! O site surge da necessidade de organizar conteúdos e de encaminhar as pessoas para um local onde a informação possa estar mais acessível.

INSP: O que pretendes, exatamente, com este site e com o Manifesto?

FS: Originalmente não pretendia nada. Nada mais do que juntar uns amigos e mostrar o que estava a fazer, discutir com eles e aprender com outras experiências. Mas nesta altura estamos já numa outra dimensão! Muitas pessoas começam a olhar para o grupo com vários tipos de interesse: já fomos convidado para programas de TV e rádio, já fui falar da Paleo a várias escolas, já fizemos mais de 30 eventos próprios com salas cheias para nos ouvir e provar alguns petiscos dos nossos, e há sempre outras propostas e convites a surgir a todo o momento.
E não vamos agora fugir nem ficar no cantinho com vergonha. O nosso movimento por uma alimentação de verdade, pretendem estabelecer e mostrar o nosso compromisso e alertar a sociedade de que está a surgir um grupo de pessoas que tomou nas suas mãos, de forma consciente e com conhecimento, as rédeas das suas escolhas alimentares, e que estamos dispostos a agitar os mercados, não aceitando aquilo que consideramos errado.
E temos resultados absolutamente fantásticos e visíveis! E o desafio fica feito: qual é o risco de comer comida de verdade? Qual é o risco de comer diferente, pensando como antigamente?

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