Alimentação escolar

Muito se tem escrito e falado sobre a alimentação escolar, com particular incidência sobre os aspetos negativos e o que corre menos bem.

Há certamente muito trabalho a fazer pela alimentação das escolas, melhorando sem dúvida a qualidade dos produtos fornecidos, os métodos e técnicas de confeção, tornado a alimentação escolar, não apenas equilibrada (já o é), mas também mais apetecível aos consumidores (alunos e professores).

Há, no entanto, um aspeto que importa realçar. Vivemos hoje num contexto em que as práticas e os hábitos alimentares se desviam daquele que é o padrão alimentar correto, equilibrado e recomendado. Menos de 10% da população portuguesa faz uma alimentação que se aproxima da dieta mediterrânica; os dados do último Inquérito Alimentar Nacional demonstram que o consumo de frutas e hortícolas é baixo, em particular nas crianças e adolescentes, com um consumo excessivo de proteína animal. Sabemos que os pais são muitas vezes os indutores destes comportamentos desadequados, colocando nos lanches escolares alimentos ricos em gordura e açúcar.

Há, pois, que realçar que a alimentação escolar, embora precise de melhorias em muitos aspetos, é uma alimentação equilibrada, na qual existe sempre o fornecimento de uma sopa de vegetais, um prato equilibrado, com todos os componentes, incluindo os hortícolas e uma peça de fruta. Certamente uma melhor opção que as ofertas disponíveis nos supermercados, cafés e restaurantes em torno das escolas e, em muitos casos, mais equilibrado do que aquilo que se come em casa.

Temos assim, todos de trabalhar em conjunto, os pais e a restauração no sentido de tornarem a alimentação mais equilibrada, as escolas no sentido de a tornarem mais apelativa gastronomicamente.

Cláudia Viegas

Nutricionista
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